20.10.11

ISTAS À JORNA!




Algures ontem, onde o sol madrugou às dez para as oito, o último casal identificado a dormir em colchão de palha centeio acordava dez minutos depois.
A sofisticada mora do galináceo despertador, apurou-a Manuel com os anos e uns taipais, aumentando o número de tabelas da luz até atingir as cordas vocais de Khronos, e lhe arrancar um Krokorococóo bem escorado no brilho das penas, no afogueado da crista e na firmeza das esporas.
Josefa, Manuel e o Galo estavam já esperando uns pelo outro, é certo, mas os rituais precisam destas regulares cadências, ritmos, compassos, como se cada um fosse roldana nesse complexo mecanismo do quotidiano. Mas não hoje.
Agora há apenas uma caldeira julgada extinta, achada ardendo entre a costa duma mão, e a barriga dum braço. Sem um calo ali a estorvar, uma sensação longínqua dilatava com o pulsar nas veias duma volúpia doce deslizando em suas túnicas.

À noite assaram o galo. João voltava uns dias do desterro num qualquer quadro anti-pedagógico. Falaram pouco à ceia. João achou os pais quase mais novos e não lhes disse. Meia hora antes tinha embaciado um nome na memória, exercício que fazia inconscientemente de forma mecânica.
À noite os sonhos ouviram-se, Josefa veio-se várias vezes, Manuel só descobriu o mesmo de manhã.